Mão na Massa!
Alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo do CEUNSP executam parede de taipa de pilão
A taipa de pilão é uma técnica construtiva caracterizada por paredes maciças de barro socado, que trabalham a base de compressão. Acredita-se que o uso da taipa remonta desde o Oriente antigo, levado a várias partes da Europa Ocidental através dos árabes. São encontradas construções de taipa em muitos outros países, como França, EUA, Marrocos, China e Japão. No Brasil, a taipa foi trazida para pelos portugueses no período colonial, onde teve seu uso mais difundido durante os primeiros séculos de colonização, sendo mais encontrada em regiões mais planas. Em São Paulo, a taipa de pilão teve grande difusão, sendo, durante muito tempo, a principal técnica construtiva utilizada.
Para a execução das paredes, monta-se uma forma de madeira tipo sanduíche – o taipal, onde o barro é socado e comprimido, em camadas, com a ajuda de um pilão ou algum outro tipo de socador. Também pode ser socado com o auxílio de pisoteio. A camada de barro colocada é de aproximadamente 20 cm e, posteriormente reduzida para 10 a 15 cm. Cada faixa é feita em toda a extensão da parede, para depois, ser feita a camada superior.
O barro, normalmente, tinha proporções de terra, areia e argila, formando uma massa bem aglutinada. Para evitar rachaduras e fendas, e também para uma melhor aglutinação, costumava-se misturar ao barro, estrume de currais, fibras vegetais ou crina animal. Essas fibras adicionadas armavam o barro com uma trama interna. Era tradição também adicionar ao barro sangue de boi, como substância aglutinante. Na versão contemporânea, é utilizado cal com aglutinante.
Na disciplina de Patrimônio Histórico, ministrado pela professora Arq. Ms. Melissa Ramos da Silva Oliveira, os alunos do sexto semestre do curso de Arquitetura e Urbanismo do CEUNSP estão colocando a mão na massa e executando uma parede de taipa de pilão na versão contemporânea. De acordo com a professora Melissa, “o objetivo da aula é fazer com que os alunos aprendam in loco a executar esse sistema construtivo tradicional, que na atualidade vem sendo resgatado por ser ecologicamente correto”.
A forma foi executada na maquetaria do curso. Durante as aulas, os alunos trabalham em equipes. Enquanto alguns grupos preparam o barro, peneirando-o e misturando a cal, outros socam o barro dentro da forma. Em uma segunda etapa, os alunos irão preparar a argamassa de revestimento da parede e uma tinta a base de terra.
Essa disciplina integra o Laboratório de Canteiro de Obras e Técnicas Retrospectivas do INSEAD (e-mail: insead.tecnicas@yahoo.com.br), que está em fase de implantação pela coordenação do curso, que objetiva que o aprendizado por meio de aulas práticas em um canteiro de obra.


Texto: Melissa Ramos da Silva Oliveira
Fotos: José Angel Lobato Cameselle

