Professora de Arquitetura do INSEAD participou de Congresso
Internacional sobre Urbanismo
Nos dias 23 a 25 de Agosto de 2009, a professora e arquiteta do curso de Arquitetura e Urbanismo Geise Brizotti Pasquotto, participou em São Paulo, do International Sociological Association Research Comittee 21: Sociology of Urban and Regional Development (ISA-RC21) com o tema Inequality, Inclusion and the Sense of Belonging.
No período da manhã ocorreram as mesas redondas com professores internacionais convidados no auditório do Centro Cultural de São Paulo e à tarde foram realizadas sessões e trabalhos dos integrantes do congresso.
No primeiro dia foram discutidas a presença e ausência das identidades locais e o sentido de pertencimento da população em relação à cidade, com os professores Jan Willem Duyvendak (Universidade de Amsterdam, Holanda), Andreas Novy (WU Vienna, Austria), Teresa Caldeira (Universidade da California, Berkeley, EUA) e Ilse Scherer-Warren (Univ. Federal de Santa Catarina, Brasil - comentarista). No segundo dia, os professores Enzo Mingione (Universidade de Milão, Itália), John Logan (Universidade Brown, EUA), Edmond Preteceille (Science Po, França) juntamente com a professora Maria Cristina Leme (Universidade de São Paulo, Brasil) como comentarista, discutiram a segregação urbana e as desigualdades sociais. No ultimo dia, foram abordadas questões das políticas públicas em tempos neoliberais com os professores Patrick Le Galès (Science Po, França), Raquel Rolnik (Universidade de São Paulo, Brasil), Manuel Aalbers (Universidade de Amsterdam, Holanda) e Carlos Vainer (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil - comentarista).
Segundo a professora Geise, duas questões chamaram a atenção nas palestras apresentadas: uma nova visão para o gentrification e o projeto Nova Luz em São Paulo.
GENTRIFICAÇÃO
Intitula-se gentrification ou enobrecimento urbano, a um conjunto de processos de transformação do espaço urbano que ocorre, com ou sem intervenção governamental, nas mais variadas cidades do mundo [1]. O processo de gentrificação diz respeito à expulsão de moradores tradicionais, que pertencem a classes sociais menos favorecidas, de espaços urbanos e através de intervenções urbanas que provocam a valorização imobiliária do local, atraindo a população de classe média alta. Esses processos são criticados por vários estudiosos do urbanismo e do planejamento urbano devido ao seu caráter excludente, privatizador e homogeneizador dos espaços através das classes mais altas (Figura 1).
“Na palestra do professor Edmond Preteceille, foi demonstrada uma outra visão sobre a gentrificação, indo na contra-mão das teorias difundidas. Edmond relatou que este processo só é ruim se formar grandes bolsões de classe média alta, entretanto, este fato raramente acontece. O que é normalmente observado é uma heterogeneização das classes, onde a classe média alta possui algumas concentrações que estão mescladas com classes médias baixa e baixa (Figura 2)” relata a professora Geise.
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Legenda:
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Figura 1 - Teoria normalmente difundida sobra o processo de gentrificação (enobrecimento). |
Figura 2 - Explicação do palestrante sobre como ocorre o processo de gentrificação na realidade. |
NOVA LUZ
Objeto de uma das maiores intervenções urbanas já realizadas em São Paulo, a Nova Luz envolve aproximadamente 225 hectares de uma área antes estigmatizada como "Cracolândia"(Figura 3). Os recursos para as primeiras desapropriações já foram liberados pela Prefeitura. A promessa do projeto é a criação de novas opções de moradia e novos equipamentos públicos, preserva o patrimônio arquitetônico existente, respeita e estimula a vocação econômica da região, a exemplo da Rua Santa Efigênia, e abre horizontes para novos segmentos [2].
No congresso, a professora Maria Cristina Leme [3] ao comentar as palestras de Gentrificação e Segregação Social, remeteu à experiência da Nova Luz em São Paulo e os cuidados que devem ser tomados nesta intervenção. Outros palestrantes, como Alvaro Pereira (Projecting a new highlight in the city. The erosion of the public-private frontier in São Paulo) e Paula Carvalho (Urban planning: the private sector logic and the strategic use of cultural spaces) também abordaram esta intervenção.
A professora Geise relatou que esta é uma área onde estão dirigidos os olhares dos urbanistas atualmente. A professora também aborda em sua dissertação de mestrado esta região, onde contrapõe a criação de diversos edifícios culturais com a falta de reabilitação da área.
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Figura 3 – Região da Nova Luz |
Referências Bibliográficas
[1] HOFFMANN, Friederike. Istanbul: living together separatly. Urban Action 2007, College of Behavioral and Social Sciences, San Francisco State University, 2007.
[2] PREFEITURA DE SÃO PAULO Nova Luz: vida nova Disponível em
<http://centrosp.prefeitura.sp.gov.br/projetos/novaluz.php> Acesso em 23 de Setembro de 2009.
[2] FELDMAN, Sarah e LEME, Maria Cristina da Silva Nova Luz: a concessão ilimitada Vitruvius- Minha Cidade Disponível em <http://www.vitruvius.com.br/minhacidade/mc263/mc263.asp >Acesso em 23 de Setembro de 2009.
Texto: Geise Brizotti Pasquotto





